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A Arte da Rebeldia – Cap. 2. Terra e Liberdade – Seaweed

Mesmo aqueles de nós que vivem em países aparentemente pacíficos estão profundamente envolvidos em uma guerra. A guerra social e política. Uma guerra travada pela ideologia contrária à liberdade de pensamento. Uma guerra travada pelo industrialismo contra ambientes saudáveis. Uma guerra entre os incluídos e os excluídos, entre o indivíduo e as restrições impostas por instituições impessoais.

A vasta maioria da população mundial consiste de povos vencidos nessa guerra. Na verdade, somos mais do que apenas vencidos. Somos cativos: cativos do medo, do temor, somos mantidos fora do contato uns com os outros e com a terra que nos provê a vida. Dizem que nossas correntes são longas e nossas jaulas são grandes, mas ainda assim somos prisioneiros. A coerção está em todos os lugares, incluindo em nossa necessidade de vender nosso trabalho por salários, em sermos forçados à obedecer leis, no alistamento obrigatório para servirmos em exércitos imperialistas e na imposição compulsória de moralidades e escolarização.

As forças físicas de ocupação são essencialmente a polícia e o exército. Durante séculos, nós internalizamos muitos dos valores e ideias dos conquistadores e temos sido assimilados em formas de obediência e domesticação. Mas eu gostaria de explorar especificamente nossa ocupação física.

Se as pessoas desejam reivindicar espaço elas devem estar preparadas para lutar por ele e defendê-lo. Este espaço pode ser permanente (uma região ou vila libertada) ou temporária (squats, acampamentos nas matas, abrigos e comunidades autônomas legalmente ou ilegalmente construídos). Pode ser baseado em vilarejos ou movimentos secessionistas regionais, na busca por acesso à terra por meio de movimentos sociais ou pela demarcação de territórios tradicionais por parte de indígenas.

Aqueles de vocês que têm alguma familiaridade com os eventos em Kahnesatake, uma reserva Mohawk no exterior de Montreal onde policiais foram fisicamente afugentados para fora da cidade há algum tempo atrás, estão cientes de como uma ação marcial pode ser bem-sucedida. Anarquistas canadenses e outros insubordinados podem ser capazes de encontrar inspiração e aprendizado com esse evento. Pessoas podem reivindicar espaço se elas se organizarem e não temerem perder alguns dentes.

Com isso em mente, talvez uma olhada para a história em geral possa nos ajudar a descobrir como outros em nossa condição conseguiram se organizar marcialmente. Há exemplos incontáveis de rebeldes se organizando e vencendo algumas batalhas.

A história oficial é escrita por conquistadores. Seu folclore auto-congratulatório diz que nós (rebeldes) sempre perdemos porque os conquistadores são superiores (e por isso têm armas superiores). A maioria de nós aceita isso como uma verdade, e por isso nós não deveríamos nem mesmo tentar uma abordagem marcial porque temos certeza de que seriamos derrotados. Mas as coisas não têm que ser assim. Na história norte-americana, por exemplo, a imagem desonesta de europeus tecnologicamente avançados dominando selvagens precisa ser reexaminada. Por todo este continente, povos indígenas rebelaram-se e usaram habilidades marciais para repelir as invasões. Na maioria dos casos, ao menos inicialmente, eles tiveram algum sucesso.

Vejamos um exemplo de uma das primeiras invasões. Em 1521, no que é chamado hoje de Florida, os Calusa e os Timucua derrotaram conquistadores experientes liderados por Ponce de Leon e Hernandez de Córdoba. De fato, estes dois conquistadores morreram após ferimentos infligidos pelos Calusa. Por meio século as tribos indígenas repeliram os espanhóis nessa região. A invasão de Leon e Córdoba foi a quarta invasão dos espanhóis repelida com sucesso pelos povos tribais locais.

Ao longo das invasões, houveram numerosos exemplos de sucesso. Em muitos casos, os indígenas conseguiram defender seu território por décadas, alguns tiveram sucesso até mesmo por gerações. Os europeus não teriam por fim vencido se não tivessem adotado algumas tecnologias e habilidades indígenas, mesmo com os indígenas também adaptando a tecnologia e táticas européias. Em seu excelente livro, Warpaths, o autor Ian Steele explica que: “As balestras espanholas não podiam competir com os arcos longos ameríndios que tinham de seis a sete pés, grossos como o braço de um homem e muito precisos em distâncias de até duas mil jardas. Apesar da armadura espanhola ter sido efetiva contra a maioria das flechas encontradas nos três continentes, essas… flechas penetravam 15 centímetros de madeira e até mesmo as chapas de proteção do peito e das costas das armaduras espanholas. ”

Ataques precisam ser autogeridos organicamente de uma forma ampla, horizontal e diversa, e se for baseada em comunidades inteiras, eu acredito que eles têm maiores chances de serem bem sucedidos. Movimentos secessionistas regionais e envolvendo algo como um vilarejo podem ser expressões disso, mas espaços ocupados também. A autoridade centralizada não pode controlar uma multiplicidade de frentes rebeldes: regiões, vilas, reservas e vizinhanças, cada uma com seu próprio foco, sua expressão específica de auto-organização anti-autoritária. Apesar de todo o criticismo que anarquistas têm levantado contra os Zapatistas em Chiapas, eu penso que temos mais a aprender com eles do que eles conosco. Além disso, colaborando – ou ao menos reconhecendo – ações indígenas por autonomia e território, podemos nos tornar parte de algo muito maior, alguma coisa muito próxima do que muitos insurgentes comunitaristas, ecologistas radicais, anarquistas e outros rebeldes estão buscando.

Parte da ruptura envolve abrir mão de todas as camadas ideológicas introduzidos em nós por meio da escolarização, da mídia de massas, da vida em famílias nucleares, etc. Mas meu envolvimento com rebeldes nos últimos 25 anos me diz que a maioria de nós já sabe que isso é importante. O que não vemos como útil são os meios disponíveis a nós para combater nossa ocupação física. Afinal, apenas nos livrando da autoridade coercitiva organizada é que nós verdadeiramente começaremos a ter oportunidades reais de nos transformar profundamente e de tomarmos de volta nossa vida. Uma área local pode vencer essa coerção e o imperialismo do mercado? Se sim, quais são os primeiros passos?

Uma parte do que envolve ser insurgente hoje é adquirir habilidades marciais. Tradições marciais incluem de tudo: técnicas de luta, teoria de combate, coesão de grupo, conhecimento sobre o terreno, habilidade com armas, etc. Este não é chamado para uma “luta armada” mas para uma inclusão do negligenciado aspecto de uma abordagem mais abrangente para a rebelião. Muitas armas simples também são ferramentas úteis para a rebelião e nos deveríamos fazer uso delas neste contexto, como, por exemplo, aprendendo técnicas de caça, depois trazendo para casa alguma carne selvagem para compartilhar com os amigos para que possamos deixar de depender da reciclagem de alimentos jogados fora ou de empregos, assim como usar essas habilidades para autodefesa ou para perseguir adversários. O bônus é que nossa proficiência e familiaridade com elas podem ser extremamente úteis em uma situação de crise ou durante uma revolta popular.

As prisões estão cheias. As fábricas e minas estão cheias. Uma onda de extinção está esvaziando o planeta, um tsunami causado por um sistema imposto de cima para baixo. Populações inteiras vivem à base de pílulas anti-depressivas e anti-ansiedade.

Precisamos nos reagrupar, curar nossas feridas e criar um plano para nos reapropriarmos de nossas vidas. Encorajar indivíduos e grupos de rebeldes a realizar treinamento em habilidades marciais e de sobrevivência parece ser algo desnecessário. Esses diversos indivíduos e grupos ajudariam a criar uma nova cultura anti-autoritária que inclua uma aceitação disseminada do componente marcial. A retórica e a cordialidade têm nos governado por tempo demais. Uma abordagem mais marcial pode contribuir gerando a oportunidade para tentativas de criação de novas relações baseadas em culturas criativas e saudáveis.

O apoio à habilidades marciais pode se traduzir em milícias anti-autoritárias e outros agrupamentos semiformais como os que existiram no passado ou em entidades mais fluídas como o black bloc que se manifesta espontânea e informalmente quando a necessidade surge. De qualquer forma, a intenção é a de que haja grupos de indivíduos hábeis e talvez desejosos de ajudar seus vizinhos, companheiros e amigos, buscando espaço para expressar sua raiva, resistindo à pilhagem de seu habitat e ajudando várias iniciativas de resistência à contra-atacar por meio da prática de abordagens marciais. Quando uma squat está para ser desalojada ou um acampamento na mata está para ser incendiado pelas autoridades, por exemplo, eles apareceriam para dar apoio moral e material com seu treinamento e habilidade para agir fortemente como um grupo. Independente de esses grupos se formarem ou não, por meio da inclusão e do encorajamento de quantos amigos, vizinhos e companheiros for possível para explorar formas marciais, uma cultura anti-autoritária mais forte, resiliente e ameaçadora terá a oportunidade de emergir.

Os rebeldes canadenses podem tirar proveito da relativa liberdade e abertura de sua sociedade para desenvolver essas habilidades e instrumentos antes das correntes se tornarem mais curtas e as gaiolas se tornarem menores. A reação aos eventos de 11 de setembro nos EUA provaram o quão rapidamente uma sociedade aberta pode trazer à tona leis draconianas para proteger a elite, o sistema do qual dependem e os valores que permitem que tal sistema exista.

Somos todos povos ocupados. A ocupação é parcialmente mantida militarmente e nossa resposta deveria ser, ao menos em parte, uma resposta de luta. Mas eu não quero que uma ética típica de guerra seja o aspecto central da minha comunidade. Eu quero que a sabedoria dos idosos, a espontaneidade, ludicidade e honestidade brutal das crianças e a cuidadosa repreensão e questionamento dos pacifistas também sejam aspectos essenciais da minha resistência, de outra forma nós acabaríamos criando sociedades marciais ao invés de sociedades com habilidades marciais. Eu não estou sugerindo a aceitação de uma elite combatente, mas sim uma cultura anti-autoritária que valoriza habilidades e táticas marciais em geral. Treinamento em autodefesa, disseminação do uso e conhecimento de armamentos, estudo de casos populares de conflito e confronto, encorajamento do contra-ataque e insubmissão, etc., tudo isso pode ser o central.

Os lutadores treinados que desejo encorajar são motivados por uma preocupação pelos outros membros de sua comunidade. Eles não se baseiam em pequenos grupelhos hipócritas. Pelo contrário, eles se preocupam com os outros porque se preocupam consigo mesmos, com sua experiência imediata como indivíduos. Eu desejo encorajar o surgimento de um espirito combativo, no melhor sentido do espírito de luta dos guerreiros indígenas da américa do norte. Nossos guerreiros existem para reivindicar espaços para si mesmos e para outros. Neste novo espaço recém libertado, nós poderemos ter a oportunidade de realizar genuínos experimentos de vida.

Parte de nossa preparação para a revolta deveria incluir o estudo da história militar, os princípios e caminhos da vida militar, em grande parte por que nossos adversários são bem instruídos nisso, mas também porque isso oferece insights e princípios valiosos para os rebeldes. Muitos de nós temos familiaridade com alguns dos clássicos: A Arte da Guerra de Sun Tzu, O Livro dos Cinco Anéis de Musashi, os escritos de Che Guevara, as reflexões de Mao Tse Tung e as análises e trabalhos de Clausewitz por exemplo. Mas esses são só alguns dos materiais disponíveis, muitos deles vindo de perspectivas autoritárias ou vanguardistas, e claramente inadequados para a emergência de uma cultura marcial objetivando resistir ou reivindicar e defender espaços.

Nós também olhamos para a história dos anarquistas, como a Makhnovchina ou a Coluna Durruti, por exemplo: como elas começaram, como eram organizadas, assim como aconteceram algumas de suas batalhas específicas e como elas foram vencidas ou perdidas. Nós podemos aprender com os erros de incontáveis tentativas do passado.

Rebeldes antiautoritários não têm uma liderança elitista e nem são organizados de forma centralizada. Federações de acampamentos independentes poderiam ser encorajadas, mas essas alianças deveriam se basear em acordos frágeis. Em última análise, se trata de não se tornar muito formalmente ligado de maneira que possamos ter sucesso em quebrar permanentemente a existência de monopólios políticos e infraestruturas de grande porte que tendem a se cristalizar em organizações autoritárias. A noção aqui é fazer uma pequena parte ajudando na criação de um mundo de indivíduos livres e de ambientes ecológicos saudáveis onde grupos auto-organizados de humanos livres possam viver.

Este novo foco de povos rebeldes na história da resposta militar aos conflitos sociais seria obviamente bem complementada também ao incluir as lutas de indígenas e outros grupos insurgentes. No que diz respeito a isso, nós também poderíamos olhar para a rebelião Metis no Red River Valley e para a Sociedade dos Homens Sem Mestres em Newfoundland, por exemplo. Nos beneficiaríamos também de um estudo sobre as batalhas de chefes guerreiros indígenas como Crazy Horse, Tecumseh, Chefe Joseph, Pontiac e Geronimo, bem como de eventos como a tentativa de tomada de um arsenal por parte de John Brown em Harper Ferry, e incontáveis outros exemplos.

Um estudo de investidas militares antiautoritárias e de rebeliões indígenas focado em batalhas e estratégias específicas, tanto as que tiveram sucesso quanto as que falharam, pode nos trazer muitos insights úteis para a arte da revolta. Um olhar sobre os Potawatomi, por exemplo, que viveram de acordo com princípios abertos e livres, e que lutaram pela sobrevivência enquanto eram pegos em meio aos conflitos entre os poderes coloniais francês e inglês, revela segredos sobre guerras bem sucedidas. Aqui está apenas um exemplo: na primavera de 1755, o general britânico Braddock liderou um grande exército de colonos milicianos e de tropas regulares da Virginia para destruir fortes franceses no rio Ohio. Seu guia e conselheiro era um jovem coronel, George Washington.

Aqui está uma descrição do que é expressado no livro The Potawatomi, de James Clifton:

Em 8 de junho, os britânicos estavam se aproximando do forte Duquesne na Pensilvania ocidental, local da atual Pittsburgh. Vendo que os britânicos estavam acampados e em alerta, os líderes de guerra Potawatomi persuadiram os franceses a não atacar. Ao invés disso, eles planejaram atacar as tropas britânicas no próximo dia quando elas estivessem em deslocamento, espremidas em filas quilométricas ao longo de uma trilha estreita e cercada pela floresta. O ataque surpresa foi um total sucesso. O Coronel Washington tentou… contra atacar ao estilo indígena… mas foi derrotado. Eles tiveram quase 1000 soldados mortos e mais de 1500 feridos na trilha naquela manhã. Eles abandonaram a maioria de seu equipamento e suprimentos… Braddock foi gravemente ferido. Washington por pouco pode escapar com vida. Ele aprendeu uma lição militar que pode salvar sua vida de um desastre, uma que ele usaria de aviso alertando seus generais sempre que estes enviassem tropas para enfrentar os britânicos e as forças indígenas: ‘Cuidado com a surpresa! ’

Na teoria militar, a surpresa é uma das armas mais potentes disponíveis. Nós devemos ter em mente que o estudo de combates históricos mostra que a surpresa aumenta o poder de ataque de forças combatentes. Surpresa, efetividade no combate, posturas defensivas, tudo isso são multiplicadores que podem ajudar. Esse conhecimento não deveria estar disponível e ser reconhecido pelos anti-autoritários?

Como todas as estratégias envolvendo território e ocupação, o derrotado tem uma miríade de escolhas em termos de como vivem suas vidas. Mas as escolhas são mais limitadas se nós pudermos concordar em quais são nossos objetivos, a respeito do que o sucesso é e o que constitui uma qualidade de vida aceitável. Seriam os habitantes do Gueto de Varsóvia, que se rebelaram contra seus atormentadores nazistas, eticamente repreensíveis por terem matado? Eles deveriam ter continuado a aceitar a humilhação diária, o sofrimento, a violência e a morte? Ainda assim, em sua época, houveram aqueles entre eles que argumentaram contra o levante por vários motivos, incluindo motivos morais.

Frequentemente, não é uma questão de quem teve maior sucesso, mas sim de entrar em acordo a respeito do que se trata o sucesso. No caso do levante do Gueto de Varsóvia, aqueles que participaram sentiram que a vitória se tratava de se manter firme enfrentando seus opressores e arriscando suas vidas ao invés de continuar vivendo dentro daquele inferno nazista. Para outros, o sucesso é medido apenas por se manter vivo a qualquer custo, mesmo que isso signifique se tornar um traidor ou aceitar a derrota. Para ainda outros, a vitória é medida pela superioridade moral, nunca adotando os meios e métodos do inimigo, mesmo que isso signifique sofrimento ou morte.

Todos os rebeldes que desejam superar a ordem social atual em favor de uma outra mais justa e imaginativa precisam perguntar a si mesmos não apenas qual é o comportamento radical aceitável, mas também o que são condição de vida aceitáveis. Resistir aos valentões que controlam as coisas e afirmar certa territorialidade dentro da qual nós possamos aprender a viver em harmonia uns com os outros e com o mundo que nos cerca parece ser razoável para mim, enquanto esperar pelas condições objetivas necessárias ou outro conceito marxista me parece inaceitável. Para nos confrontarmos com as instituições que mantêm nossa servidão e miséria nós precisamos escutar os lutadores corajosos, impacientes e de cabeça quente tanto quanto escutamos os cautelosos, diplomáticos e responsáveis pacificadores. Se trata de contexto, não moralidade, as forças da história, nossas estratégias universalmente aplicáveis.

Somos todos pessoas danificadas que precisam se regenerar e não apenas lutar. Nós fazemos isso parcialmente com os outros com quem nós compartilhamos afinidades e a abertura da intimidade. Nós também precisamos analisar a civilização (nossa dominação em geral) e compartilhar nossos insights por meio de debates, panfletos, publicações e discussões. E nós precisamos ajudar a criar comunidades e/ou culturas de resistência contribuindo com os vários projetos nos quais nossos companheiros rebeldes estão envolvidos. Ainda assim, a regeneração pessoal, a propaganda e o investimento de nossas energias em projetos comunitários, não importa o quanto nos esforçarmos, ainda não confronta a ocupação militar na qual estamos vivendo. Até mesmo tentativas de resselvagização são vãs se não forçarmos uma ofensiva generalizada, efetiva e de longo prazo contra a autoridade centralizada militarmente protegida. A História não é apenas a estória das civilizações imperiais mirando e conquistando outros, ela é também uma crônica de resistência a essa conquista. Eu tenho aliados e antepassados que se estendem por milênios antes de mim. Eles venceram incontáveis batalhas. Houve resistência em cada área e em cada era. Para honrar esses ancestrais nós precisamos agradecer a eles e manter a luta de pé.

Na teoria militar, é dito que para o conquistador realmente ter sucesso, a população vencida deve aceitar a derrota. De outra forma, os conquistadores só irão vencer depois que cada pessoa tiver sido morta, o que geralmente não é do interesse de conquistadores já que eles precisam de escravos e soldados. Uma grande parte de nossa população infelizmente aceitou a derrota. Então, eu quero repetir que compartilhar nossa visão de mundo e críticas únicas, bem como criar comunidade, são coisas tão essenciais quanto adquirir habilidades marciais. Um componente marcial é simplesmente uma parte. Mas, nós também precisamos lembrar que um pequeno bando de rebeldes pode fazer muito, até mesmo ter sucesso em viver vidas relativamente livres longe da civilização capitalista.

Na Irlanda, no início do século XIX, pequenas milícias locais, que nem tinham rifles o suficiente, frustrou os anseios de um dos impérios mais poderosos do planeta por décadas. Eles tiveram sucesso parcialmente porque usaram muitas habilidades marciais, desde espionagem até mesmo o engajamento em batalhas reais, mas também porque tinham um grande apoio. Os guerreiros podem buscar apoio da população. Lutadores em desvantagem necessitam de apoio para vencer. Com isso em mente, é de grande ajuda quando rebeldes se assentam em uma região e constroem fortes laços com a terra e com os habitantes dela. Talvez, com o tempo, a centelha de comunidades autenticas com habilidades marciais possa começar a brilhar e talvez essas centelhas aparentemente isoladas possam um dia se reunirem em pequenas fogueiras locais. E, quem sabe, você pode ser um dos rebeldes em volta de uma dessas fogueiras.

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Fonte: Land and Freedom – Seaweed
Tradução: ctenomys (junho de 2017)